Ao reler meus textos, me reconheço e revivo sentimentos e memórias. Estão ali todos os meus conflitos com a faculdade, com a profissão, carreira, e futuro. Eu queria ardentemente ser uma engenheira da prática, do mundo físico. Projetar coisas materiais, circuitos, controles. Por quê?
Sei que uma das minhas motivações pessoais era pra desafiar a sociedade, e numa vingança pessoal - mostrar que eu posso. Mostrar pras pessoas que mulheres podem ter lugar na engenharia sim e que eu poderia fazer meus próprios projetos - frequentar laboratórios, oficinas. Que coisa doida. É claro que eu posso fazer meus próprios projetos.
Além disso, ouvi de muita gente que para garantir o valor profissional, é necessário ser um profissional raro: ir atrás do que é difícil, daquilo que pouca gente quer aprender, pois por esse profissional as empresas pagariam caro. Claro que eu gostaria de ser uma profissional cara, mas, antes disso, vinha também o meu medo mais básico de conseguir um emprego qualquer.
Parece que eu juntei as duas ideias - encurtei o caminho - e a crença virou a seguinte: para garantir um emprego qualquer, preciso ser uma profissional muito rara e altamente qualificada. É como se esse fosse o único caminho possível. Nada intermediário valeria.
Ser desenvolvedora, trabalhar com a internet parece fácil. Está acessível a tantos. Eu não queria ser mais uma dentre os milhares de engenheiros de software no mundo. Como eu me destacaria? Como competir com toda essa multidão?
Creças limitantes. Acreditei tanto nisso que fica difícil de ver que não é uma competição de 1:1 milhão. Há espaço. Há colaboração além da competição. O mercado precisa de engenheiros de software, e já está pagando caro por esse tipo de profissional.
Uma verdade é que passei os meus últimos anos me especializando nisso. Entrei em projetos focados nessa área, projetos que me empolgaram bastante. Aprendi muito, e aprendi a aprender, e já me destaco nessa área :) É como se meu coração estivesse muito próximo de uma coisa, mas por alguma obrigação, eu devesse me afastar disso e perseguir um caminho árduo até conseguir um trabalho na NASA - e esse sim seria o caminho de valor.
Acho que seria bem mais leve se eu conseguisse me libertar dessas crenças desgastantes, e me aceitar como engenheira de software - abraçar essa área, focar minhas energias nisso. Acho que estou iniciando esse processo. Me desejem coragem.
Essa é uma das grandes questões ainda não respondidas da (minha) vida - uma dessas que eu fico refletindo sobre no trajeto do ônibus indo pra faculdade e voltando da faculdade - pensando onde é que eu vou trabalhar depois de tudo isso: todas as funções de transferências, sensores, e controladores da vida.
Onde?
Há por aí essa ideia de que um engenheiro de controle e automação pode trabalhar em inúmeras áreas: projetos, mecânica, eletrônica, elétrica, computação, robótica, automação de processos, plantas industriais e mais um monte de áreas. Mas acho isso uma meia verdade. Engenheiro de Controle é especialista em controle, não em elétrica e etc.
Eu já sei que gosto de controle, acho interessante sim, mas me preocupo com o mercado. Conversando com meus colegas veteranos, vejo que a maioria deles começa estagiando na área de desenvolvimento de software e provavelmente devem seguir nessa área em seus primeiros empregos.
Isso me faz pensar em três hipóteses:
o mercado não está interessados em engenheiros de controle e automação, ou
não estão sendo formados os engenheiros de controle e automação que o mercado precisa, ou
engenheiros recém formados não estão sabendo encontrar as empresas.
Esse negócio de emprego me preocupa muito desde cedo, o que é normal, por ser uma das grandes expectativas que recaem sobre todo mundo.
Eu sei imagino que eu deva passar a maior parte da minha vida trabalhando (olá reformas na previdência), então espero que eu possa fazer algo bem útil com a minha profissão, algo que eventualmente envolva umas contas complicadas e hardware, porque, se for pra trabalhar apenas com computação, então teria sido melhor ter estudado engenharia da computação, não é mesmo?
Muitos dos meus colegas de E.C.A. também sentem essa aflição e acho que deveríamos discutir mais esse assunto. Sempre que posso estou comentando isso com eles pra ver se eles têm alguma visão diferente, ou pra saber se algum deles já encontrou o caminho das pedras para trabalhar com controle na vida real.
Sei que pra quem se dedica e persevera sempre é possível achar um espacinho em alguma empresa distinta pra trabalhar de fato com sua área. Quem se dedica e faz um trajeto profissional saudável pode ter essa oportunidade, ou pode até mesmo criar a oportunidade.
Gosto de observar engenheiros que encontraram o seu caminho quando ele não estava muito claro no mercado. Gosto de observar a história dos meus professores e suas pesquisas. Servem de inspiração. Eu gostaria também de poder observar mais mulheres fazendo seus caminhos nessa minha área - meu maior exemplo até o momento é a Nagin Cox, engenheira industrial que trabalha lá na NASA, mandando robôs pra marte - maravilhosa 😁
Tirei uma foto com ela após a palestra que ela deu lá na COPPE. 26 de Semtembro de 2014.
Comentários são bem vindos! Se souberem aí de algum lugar onde eu possa trabalhar, já estou aceitando sugestões, obrigada. rs
Já estamos na metade de Janeiro, mas eu precisava tirar um tempinho para refletir sobre o impacto que 2016 teve na minha vida. Apesar de todas as reviravoltas políticas e globais que tomaram espaço nesse ano, 2016 foi um ano pelo qual tenho muitos motivos de gratidão.
Na minha organização pessoal, a palavra do ano 2016 era "Equilíbrio" no sentido de que eu queria ocupar meu tempo de forma mais distribuída entre cada área e de forma mais leve. Não funcionou tão bem como o esperado, porque acabei acumulando muitas coisas pra fazer! Mas de qualquer forma, acho que o ano que passou foi um sucesso.
Fazer muitas coisas faz parte da minha vida, e eu só preciso aprender a ser mais sincera quanto às coisas que eu realmente quero fazer, ao invés de acumular coisas simplesmente por não saber me expressar corretamente em relação a elas.
Contando um pouquinho do que fiz, na faculdade esse ano tivemos praticamente 3 períodos, ainda por conta da greve em 2015. Foi cansativo, tivemos pouco tempo de férias e, ainda por cima, escolhi trabalhar nas Olimpíadas nas férias de agosto, mas isso é uma coisa da qual não me arrependo. O primeiro período foi bom: parecia que tudo iria muito bem depois que consegui passar em Cálculo III, mas o segundo período veio pra mostrar que não era assim tão fácil - foi um período bem deprimente, mas que também me ensinou umas lições importantes. O terceiro e último período, que só acabou agora, dia 09 de Janeiro, foi o melhor deles: foi o que obtive melhores resultados, fazendo mais coisas ao mesmo tempo.
Além disso, 2016 foi o ano em que participei do grupo de Engenharia de Software Experimental e observar as atividades dos mestrandos e doutorandos foi muito interessante. Me fez considerar bastante sobre seguir a carreira de pesquisadora - não é algo que eu já tenha decidido, mas com certeza é uma opção.
Quanto às disciplinas que cursei, gostei muito de Processos de Fabricação, em que aprendemos sobre como peças são fabricadas industrialmente e que técnicas são empregadas, tipos de materiais e outros aspectos. Essa disciplina fez eu me interessar mais um pouco pela engenharia mecânica. Depois dessa, também gostei muito de Linguagens de Programação, em que o professor abriu nossos olhos pras várias possibilidades que a engenharia de computação pode explorar na atualidade, foi muito legal e considerei mudar pra engenharia de computação mesmo, hehe. Do meu curso, a matéria mais legal foi Sinais e Sistemas, que é de fato a primeira matéria específica do meu curso. Com essa disciplina aprendemos sobre decomposição de sinais, modulação, compressão, transmissão, transformadas e foi muito legal. Calculo III e Estatística e Modelos Probabilísticos também foram boas disciplinas.
Esse também foi um ano de novas amizades, tanto na faculdade quanto na igreja e em casa também. Constatei que morar com as pessoas que te fazem bem é um dos maiores presentes da vida.
Na escala de me dar bem com o meu cabelo, esse ano fechou quase em 10: cuidei mais dos meus cachos, cortei, não alisei, tô contente com ele.
Sobre saúde, comecei o ano com uma dieta mara, porém tudo foi por água abaixo quando veio a páscoa e seus encantos... não estou muito fit na alimentação, mas fiz Zumba o ano todo 😀💃
Sobre organização, comecei a usar vários serviços: GuiaBolso, Evernote, Tick Tick. Parei de usar outros: Trello, Pocket, GuiaBolso. Tentei me manter na linha do GTD, mas acho que ainda não saí muito do horizonte 1. Um dos meus projetos pessoais era manter esse blog com regularidade, mas na hora do aperto, acabava ficando no fim da lista das prioridades.
Na igreja, passei a auxiliar o coral infanto-juvenil e junto com eles comecei a aprender a tocar flauta doce, achei isso bem legal.
Enfim, esse ano teve muito pontos marcantes na minha vida, alguns dos quais eu já tinha compartilhado aqui no Blog. A lista é grande e vai muito além desse post, mas condensei aqui os pontos que mostram o quanto tive um ano abençoado e como tenho muitos motivos pra agradecer a Deus por todo o que tem feito em minha vida.
Sinto que 2017 também vai ser um ano incrível e espero poder compartilhar mais aqui. 🎇
Esses dias eu estava aqui refletindo sobre identidade. Ouvi numa palestra, um professor falando sobre como quem vemos no espelho não somos nós mesmos, porque no instante em que nos vemos já mudamos e somos outra pessoa diferente. Achei bem viajado esse papo dele, mas não posso deixar de concordar com o fato de que mudamos sim - e que bom que mudamos.
Nós mudamos no nosso modo de agir, pensar e no modo em que nos enxergamos - nos identificamos - diante dos outros. Olhando para o meu antigo blog, (que eu estou na dúvida se apago e migro tudo pra cá ou deixo ele lá quietinho, desbotando), vejo que eu me identificava como "Estudante, Educadora, e Jovem Embaixadora", interessante. Dessas coisas, a única que eu mantenho em meu discurso de apresentação é que sou estudante - estudante de engenharia. Educadora e Jovem Embaixadora foram coisas que eu já fui, porém, que não me caracterizam com detalhe nesse momento da minha vida.
Acho que estamos sempre tentando descobrir quem somos. Existe uma infinidade de coisas que uma pessoa pode ser e cada uma procura identificar aquele arranjo único que lhe faz especial, única. (E nesse ponto do texto comecei a refletir sobre combinações e probabilidades mesmo: dados todos os eventos que podem acontecer na vida de uma pessoa, a probabilidade de 2 pessoas diferentes experienciarem todas as mesmas coisas é praticamente zero, não é não? - Olha que bonita essa matemática.)
Outra coisa que chama minha atenção é tentar identificar o que é passageiro e o que é permanente: eu nasci menina, no Brasil, em 1994 e isso não dá pra mudar. Mas quando digo que sou uma pessoa ansiosa, será que estou certa mesmo? Ou será que eu sou uma pessoa que tem passado por momentos de ansiedade? Isso eu não sei dizer ainda, mas espero que seja a segunda opção. Fico pensando se isso é realmente assim tão importante de ser definido. Acho que talvez no momento isso tenha importância sim, mas, numa longa escala, tudo vai passar, tudo volta ao pó, e o que um dia foi, vai deixar de ser. Inteligente mesmo foram os ingleses, que usaram um mesmo to be pras duas coisas.
Alguém me disse que a verdadeira Michelly ainda não desabrochou e eu achei interessante ouvir isso - às vezes eu mesma não sei quem eu sou, acho mais fácil dizer o que eu não sou. Estou animada pra conhecer essa pessoa que eu vou me tornar.
apaixonada pela ideia do 'Faça você mesmo', essa garota está sempre envolvida em projetos e explorando novas ideias. Uma consequência disso foi a criação desse blog, onde ela compartilha um pouco do que faz.