Crenças limitantes

postado em , por Michelly Teixeira, Nenhum Comentário

Ao reler meus textos, me reconheço e revivo sentimentos e memórias. Estão ali todos os meus conflitos com a faculdade, com a profissão, carreira, e futuro. Eu queria ardentemente ser uma engenheira da prática, do mundo físico. Projetar coisas materiais, circuitos, controles. Por quê?


Sei que uma das minhas motivações pessoais era pra desafiar a sociedade, e numa vingança pessoal - mostrar que eu posso. Mostrar pras pessoas que mulheres podem ter lugar na engenharia sim e que eu poderia fazer meus próprios projetos - frequentar laboratórios, oficinas. Que coisa doida. É claro que eu posso fazer meus próprios projetos.

Além disso, ouvi de muita gente que para garantir o valor profissional, é necessário ser um profissional raro: ir atrás do que é difícil, daquilo que pouca gente quer aprender, pois por esse profissional as empresas pagariam caro. Claro que eu gostaria de ser uma profissional cara, mas, antes disso, vinha também o meu medo mais básico de conseguir um emprego qualquer. 
Parece que eu juntei as duas ideias - encurtei o caminho - e a crença virou a seguinte: para garantir um emprego qualquer, preciso ser uma profissional muito rara e altamente qualificada. É como se esse fosse o único caminho possível. Nada intermediário valeria. 

Ser desenvolvedora, trabalhar com a internet parece fácil. Está acessível a tantos. Eu não queria ser mais uma dentre os milhares de engenheiros de software no mundo. Como eu me destacaria? Como competir com toda essa multidão? 

Creças limitantes. Acreditei tanto nisso que fica difícil de ver que não é uma competição de 1:1 milhão. Há espaço. Há colaboração além da competição. O mercado precisa de engenheiros de software, e já está pagando caro por esse tipo de profissional. 

Uma verdade é que passei os meus últimos anos me especializando nisso. Entrei em projetos focados nessa área, projetos que me empolgaram bastante. Aprendi muito, e aprendi a aprender, e já me destaco nessa área :) É como se meu coração estivesse muito próximo de uma coisa, mas por alguma obrigação, eu devesse me afastar disso e perseguir um caminho árduo até conseguir um trabalho na NASA - e esse sim seria o caminho de valor.

Acho que seria bem mais leve se eu conseguisse me libertar dessas crenças desgastantes, e me aceitar como engenheira de software - abraçar essa área, focar minhas energias nisso. Acho que estou iniciando esse processo. Me desejem coragem. 

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